Gosto(s) do mÊS de Abril!

Abro o livro “Janela Indiscreta” de Isabel Cristina Mateus, e na pagina 141 leio:

“As livrarias deveriam estar abertas, como as farmácias, porque os livros são um bem essencial. Levam-nos a viajar quando os aeroportos se fecham.

Ao encontro dos outros quando o isolamento social o proíbe. Alimentam-nos o corpo quando as idas ao supermercado se reduzem ou se tornam escassos os alimentos. Cuidam-nos do corpo quando os ginásios se fecham. Devolvem-nos a vida quando tudo parece destroço. A realidade e a ilusão, o sonho de que precisamos para viver e criar, o riso e as lágrimas de que somos feitos. Confrontam-nos com os nossos medos e angústias. Ensinam-nos a dançar. A olhar o mundo sob outros ângulos para além do número nosso de cada dia. A literatura é um “direito”, um direito humano, como sublinhou António Cândido, o direito à fabulação, à imaginação, tão essencial como o pão, a saúde, a educação, a dignidade. Mais do que um precioso antivírico, os livros são um poderoso antidepressivo. Uma poderosa vacina contra o inferno em que ameaçam transformar-se as quatro paredes de casa”.

Vou para além de quem lê, do leitor que sente fome dos livros, que na sua inquietude está condicionado às paredes da sua casa. Um espaço muito reduzido para quem necessita de respirar o mundo.

Faço jus a quem escreve, tal como fez Isabel quando abriu a sua janela ao mundo através das suas palavras. Faz falta quem escreve, quem escreve sabiamente, de quem faz deste tempo exausto um lugar melhor para se viver.

Não me limito apenas aos escritores e aos livros, mas a quem dança e faz do corpo a ordem dos sentidos, quem toca um instrumento ou canta, quem faz das vibrações outras formas de expressão e quem faz do seu tempo uma ovação à arte.

 Admiro quem se mantem desperto e seduzido pelas palavras numa cumplicidade incomensurável com elas mesmas e com as pessoas que ficaram suspensas no tempo.  

Não podemos deixar adormecer as ruas, nem as casas com as pessoas lá dentro.  Não podemos deixar um banco de um jardim interdito por muito tempo. Não podemos deixar adormecer os livros, nem as palavras. Não podemos deixar secar as bocas sedentas de vida.

 Os livros são um poderoso antidepressivo como refere Isabel, os livros e tudo o que esteja relacionado com a arte.   

 Tal como a Isabel e tantas outras pessoas, não me deixei ficar aturdida com a pandemia. Encurtei distâncias e meti mãos à obra. Através dos meus traços e cores materializei versos poéticos.  Uma ideia que surgiu em agosto de 2020 exausta da repetição e monotonia. Cansada da melancolia das noticias, dos jornais e das estatísticas. Não para esquecer a realidade, este tempo fechado, mas para o tornar menos doloroso.  Uma ideia feliz acompanhada de pessoas empáticas, realizadas e venturosas. Pessoas que superam as sombras, não cruzam os braços, procuram alternativas para o seu bem-estar físico e psicológico, arrastando consigo outras pessoas para um bem comum.

Os livros ensinam-nos, dão-nos prazer, ajudam-nos a olhar o mundo sob outras perspetivas e até é bom que nos vire do avesso.

Abril é um mês poético. Gosto particularmente do mês de abril, não necessariamente por ser o mês do meu casamento ou do meu aniversário, mas por ser um mês que traduz a liberdade e se comemora o dia mundial da terra. O Planeta é de todos. Precisamos urgentemente de o estimar e amar, tal como devemos nos amar e cuidar de nós mesmos.

“No final do estado de emergência quis sair da minha rua. Tinha saudades de caminhar rente à linha de água, de ir ao encontro do mundo que um vírus roubara. Ao encontro de um mundo anterior a qualquer vírus”.

“As chuvas de abril criam as flores de maio”.

Sílvia Mota Lopes

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