A evolução do “eu” e as memórias…

Falar disto e daquilo… Procurar o fio de uma meada que nos leve a algum lado e que não resulte num daqueles novelos todos enredados, ensarilhados, cheios de mistérios incapazes de serem resolvidos por não se saber onde começam e muito menos onde acabam, nem num novelo bem dobado, cuja história já foi contada e recontada, conforme o olhar que a devassou e a criatividade de quem a narrou.

A polissemia de um texto é também a polissemia da história, daí o povo dizer “ quem conta um conto acrescenta um ponto”.

Exercício fácil de implementar numa sala de aula e que tem sempre um efeito surpreendente, à medida que o segredo é contado de orelha em orelha, muito rapidamente, pois que a história final é muito diferente da que lhe deu início e tentou ganhar forma.

As minhas memórias de infância são, certamente, muito diferentes das dos meus irmãos, atendendo à faixa etária, ao sexo, ao temperamento e aos interesses de cada um. Assim, o que a mim mais me marcou pode não ter deixado nem sombra de vestígio nas recordações do mais novo, para mais rapaz e vice-versa. Todos nós temos processos divergentes de filtrar acontecimentos e emoções, mesmo que os tenhamos experienciado simultaneamente, de definir e viver conceitos tão antagónicos como a beleza e a fealdade, a justiça e a injustiça, o bem e o mal…

A vida é uma tomada de posições individuais espartilhadas por códigos sociais e morais, que nos são impostos pela sociedade em que estamos inseridos, pelo clube cujas cores defendemos com maior ou menor fanatismo, pela religião à qual pertencemos, por esta ou aquela associação a que aderimos… ou, na ausência de códigos, que estabeleçam barreiras, a vida poderá ser o somatório de decisões tomadas aleatoriamente, ainda assim individuais.

O ser social começa no ser individual, transformando-o e enriquecendo-o, assim temos de pensar, para que o coletivo, o “nós” possa ter supremacia sobre o “eu” egoísta. Só assim podemos contribuir para a construção de uma sociedade saudável.

E nada melhor para educar uma criança, para que venha a ser um cidadão responsável e empreendedor, do que contar-lhe histórias que pertencem aos vários patrimónios – o coletivo (Os Contos Maravilhosos), o nacional (Contos Tradicionais, histórias de heróis, cantilenas, lengalengas, trava-línguas), o regional (lendas e contos locais), o familiar (histórias do passado ido ou de um passado mais próximo, histórias de familiares próximos ou afastados, episódios rocambolescos ou insólitos, memórias, costumes e tradições)- e que lhe forneçam as raízes em que possam alicerçar as bases da sua personalidade ainda em construção.

E a falar disto e daquilo, acabei a falar de coisas muito sérias que, por muito que sejam faladas e “refaladas”, nunca perdem ocasião de o voltar a ser. É muito importante criar memórias felizes nos nossos jovens e, sem dúvida, que a maior parte delas nos fica da infância quando ela foi bem preenchida de magia, de fantasia, de histórias verdadeiras e de outras até não…

Teresa Portal

Leave a Reply

RECEBE NOTÍCIAS D'A CASA DO JOÃO!

Obrigado por te juntares à Tribo!

Algo está errado! Tenta de novo, por favor!

A Casa do João will use the information you provide on this form to be in touch with you and to provide updates and marketing.
%d bloggers like this: