COVID: Vai ficar tudo bem…

Enquanto fazia a cama dos filhos, Amélia, olhou para a janela e reparou no arco-íris. Já lá estava desde março de 2020, o mês em que os portugueses se fecharam em casa. Jamais imaginara que por tanto tempo.


Pensativa, sentou-se na beira da cama enquanto a memória a levou até ao dia em que tinha 10 anos e ouviu o pai dizer-lhe: “vai ficar tudo bem”, enquanto lhe segurava na mão. Nesse dia, a mãe tinha ido para o hospital para dar à luz o seu irmão mais novo, o Manuel. Durante dez anos, o mundo tinha girado à sua volta mas depois de tanto pedir, os pais acabaram por lhe dar um irmão. Apesar da tenra idade, Amélia, tinha já o instinto maternal muito apurado e fazia questão de ajudar a cuidar do irmão.


“Vai ficar tudo bem”- dissera-lhe também o irmão da última vez que estiveram juntos pessoalmente e tinha sido já no verão passado. Foi numa tarde em que decidiram ir dois passar a tarde na praia da infância e com os respetivos filhos: Amélia e os seus 3 rapazes e Manuel e as suas 2 meninas. Foram momentos inesquecíveis de partilha, testemunhados pelo olhar ternurento dos avós. Amélia dava tudo para poder voltar atrás e recuar até esse dia! Nunca como agora a expressão “vai ficar tudo bem” fora tão desejada! Mas o que mais a magoava era saber que enquanto esperava que o “vai ficar tudo bem” passasse de temporário a definitivo, para trás já tinha deixado dias e dias sem estar com os pais, o irmão, as sobrinhas, os sogros, os amigos…


De repente, tocaram à campainha e Amélia foi chamada à realidade. A ausência era de fato a fatura mais pesada a pagar por ainda ter na janela do quarto dos filhos o mais famoso arco-íris! Até quando?

Andreia Abreu

[Os dias de Maria]

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