A poesia saiu à rua…

Ontem a poesia saiu à rua, ainda que dentro de casa, graças à oportunidade de participar num webinar sobre Os segredos da escrita da poesia para/com crianças, organizado pela editora Trinta por uma linha.

E ontem senti genuinamente que a poesia saiu à rua… saiu novamente de dentro de mim.

(Abro aqui um parênteses: digo novamente porque o primeiro livro que publiquei foi um livro de poemas –  Penso, Sonho… Amo!, escrito na adolescência e assinado com os meus primeiro e último nomes – Cláudia Peneda. A verdade é que a minha experiência como autora começou com a poesia, provavelmente será por essa razão que termino todas as minhas Histórias para Acordar com a história a rimar: a poesia e o encanto que o ritmo e a rima lhe conferem permaneceram sempre em mim.)

E qual é a afinal a fronteira entre a poesia e a prosa? Será meramente uma questão de forma? Quando é que a prosa é poética ou a poesia é narrativa?

Terá a poesia de rimar para ser poesia? Terá a poesia de ser abstrata para ser poesia? Pode a poesia contar uma história?

Ontem alguém dizia que é mais fácil definir o que não é a poesia do que o que é…

E o que não é a poesia, afinal?

A poesia não tem de rimar para ser poesia. Não tem de fazer sentido, pode ser abstrata, como uma mancha numa tela. Mas também pode contar uma história… ou talvez muitas histórias, uma para cada leitor, tal como o fazem as histórias que são escritas em prosa.

O que não é poesia?

O sol pode ser poesia, ou o céu, ou uma nuvem.  O mar, uma brisa de vento no rosto. Uma ave, uma formiga ou um gato a miar. Uma maçã, um morango ou saborear um quadrado de chocolate na boca. Um lápis, uma caneta ou um papel a ser rasgado. Um sorriso ou uma lágrima. Um pensamento ou um sentimento. Uma pessoa. Um sonho. Um som. Um momento de silêncio. O vazio pode ser poesia.

Enfim, tudo pode ser poesia… só tem de ser transformado em letras e com elas ser feita magia!

Partilho o poema que ontem escrevi, inspirada pela sessão sobre poesia onde aprendi que tenho muito mais para aprender sobre a poesia.

A poesia saiu à rua

A poesia saiu à rua…

Não saiu pela porta escancarada

Nem tão pouco saiu pela janela!

A poesia saiu à rua…

Saiu de uma mente agitada

De uma boca quase calada

Numa qualquer língua inspirada!

A poesia saiu à rua…

Saiu de um coração acelerado

De uma mão entusiasmada

De uma caneta meia arrojada

A brincar num papel rabiscado!

E a poesia lá foi…

Para outra mente apressada

Para uma boca cheia de espanto

Com a sua língua enrolada!

E a poesia lá foi…

Para um coração algures no mundo

Aberto a sentir cada palavra

Com todos os seus sentidos

Ou sem nenhum sentido profundo.

E a poesia lá foi…

E todos a acharam muito estranha

Mas ela não desiste… insiste e persiste

E aos poucos, aos poucos, lá entranha!

Por entre silêncios longos e curtas pausas

Rimas, sons, trocadilhos e grafismos…

Eis que se faz magia, eis que se faz poesia!

Sofia Coelho Branco

7 de março de 2021

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