COVID: A que cheira a saudade?

Foram dias e dias com um aperto no coração! Diana não encontrava uma razão aparente para aquela angústia…Era uma sensação estranha que parecia que a impedia de respirar, com receios e inquietações à mistura! Seria isto a adolescência? O período das incertezas e das mudanças de que tanto ouvira falar?


Diana era uma menina muito sensível e muito curiosa. Os últimos dias tinham sido passados a ler. Na mais recente pesquisa que fez reteve a importância da construção da identidade ao longo de toda a adolescência. Percebeu que atravessava o momento em que iria definir melhor quem seria. Desde criança que Diana se entendeu melhor com os amigos mais velhos. Não se identificava tanto com as amigas da sua idade, talvez pela influência das irmãs, todas mais velhas. Era a quarta filha. Todas elas com diferença de três anos. Tinha acabado de fazer 13 anos e sentia que a vida era rica em novidades a cada dia que passava. Impedida de conviver com os avós e com os primos, desde há longos meses, sentia-se cada vez mais sozinha no seu novo mundo! Privada dos encontros, tudo à sua volta se tornava mais difícil de suportar.
A mãe era a sua melhor amiga e confidente, mesmo agora que os sentimentos viviam num verdadeiro turbilhão e a cabeça encontrava mais questões que respostas.


“Mãe, não me tenho sentido muito bem! Ando com um aperto no coração. Não sei explicar bem o que sinto, mas é algo estranho! Tenho dificuldade em respirar. Além disso, tenho tido sonhos estranhos”…


A mãe, habituada a estes desabafos, afinal, Diana era já a quarta filha a passar pela adolescência, reconhecia, no entanto, a tristeza e solidão no olhar. E, apesar da filha só agora estar a desabafar, a mãe já tinha lido os sinais há muito.

A conversa entre mãe a filha demorou-se. Diana acabou por confessar que nos últimos dias tinha sonhado muito com a avó e com os primos. Explicou, por entre lágrimas, que sentia a falta da algazarra dos almoços em casa da avó. “E, sobretudo, sinto falta de beijar o pescoço da avó e sentir o seu perfume, e até do cheiro da casa dos avós, emprestado pela lavanda espalhada pela casa!”


A mãe, com toda a tranquilidade do mundo, como só ela sabia, interrompeu a filha e disse-lhe: “Diana, querida, esse aperto que sentes chama-se saudade! Fica descansada!” Diana limpou as lágrimas, respirou fundo e, finalmente, encontrou resposta para um sentimento dos adultos que há muito tentava entender! Foi então que percebeu que esse cheiro tinha um nome: saudade!

Andreia Abreu

[Os dias de Maria]

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