Outono de esperança

As folhas começaram a cair e, com elas, veio a esperança. Estranho? Não. Porque a renovação da natureza é sempre um sinal de mudança.

Os dias já começaram a amanhecer sombrios. E, apesar das horas ainda luminosas e das temperaturas amenas, até as nuvens ficaram negras, desabando em gotas e trazendo aquele cheirinho indescritível que só a queda das primeiras chuvas na terra consegue deixar a pairar no ar. A acompanhar a fúria dos céus, as folhas amareladas renderam-se, rodopiando no chão ao sabor da brisa e do vento. Eis o outono. Colorido, surpreendente, nostálgico … e retemperador.

Sempre gostei do outono. Depois dos meses de calor (cada vez mais tórrido), gosto das primeiras chuvas e dos primeiros agasalhos, da aragem ao crepúsculo e dos dias a encurtar, do regresso as aulas e às rotinas, das cores ocre e do cheiro a castanhas, da sensação de renovação e do pretexto para a mudança. Hoje, mais do que nunca, aprecio tudo isso.

Os tempos mais próximos não se avizinham fáceis, mas a natureza, zangada e sábia, faz questão de, subtilmente, nos dar uma mensagem de esperança. E de nos lembrar que tudo na vida é feito de ciclos. Que, por mais longos e cruéis, vão acabar. Tal como a folha cai para dar lugar à semente, também nós, humanos, vamos conseguir ultrapassar agruras e inventar saídas. Quando? Como? Ninguém sabe. Resta esperar que a Natureza nos inspire e a Ciência nos guie. As árvores despidas, por mais tristes e desamparadas que pareçam, nunca deixaram de florir… e só podem adivinhar esperança. Feliz outono!

Helena Gatinho

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