Celebrar o Centenário de Sidónio Muralha no Brasil e em Portugal

A 29 de julho de 2020 assinalaram-se os 100 anos do nascimento do poeta Sidónio Muralha. Nascido em Lisboa, em 1920, desenvolveu uma carreira no mundo empresarial. Associou-se muito jovem ao movimento neorrealista, com a publicação de Beco (1941)e de Passagem de Nível (1942), antagonizando o Estado Novo, em Portugal, nos seus poemas de denúncia social, recorreu ao exílio para evitar a prisão. Fixou-se no Congo Belga, onde viveu cerca de 17 anos, dedicando-se ao trabalho numa firma subsidiária do grupo UNILEVER, bem como à família. Neste período, casou-se com Fernanda de Almeida Muralha e aí nasceram os seus quatro filhos. Não deixou de publicar em revistas literárias portuguesas. Em 1950, conseguiu vir a Portugal editando três livros. A guerra no Congo forçou-o a abandonar África, vivendo na Bélgica brevemente e, depois de 1962, no Brasil. Foi neste país que desenvolveu a sua carreira nas décadas subsequentes. Em São Paulo, com Fernando Lemos e Fernando Correia da Silva fundou a Editora Giroflé, com o objetivo exclusivo de publicar livros infantis de elevada qualidade estética e literária. A sua crescente projeção levou-o a ser convidado para escrever uma biografia infantojuvenil de Monteiro Lobato. Depois de 1974, em continuada parceria com Fernando Lemos, publicou vários livros ao ritmo de cerca de dois por ano. Ainda em 1971, a antologia Poemas, recolheu toda a sua obra poética para adultos, a qual postumamente também foi reeditada em 2002 (Obras Completas do Poeta Sidónio Muralha), títulos hoje esgotados. Também publicou uma novela, livros de contos e dois ensaios. Casou novamente em Curitiba com a médica Helen Butler, e nessa cidade veio a falecer em 1982.

A defesa do meio-ambiente e a denúncia das desigualdades sociais, sobretudo da miséria infantil foram as suas grandes causas, a par das críticas ao capitalismo predatório global e ao colonialismo, com bastante lucidez e sem uma retórica maniqueísta. A defesa de teoria feminista perante os seus críticos e da necessidade da emancipação da mulher nas sociedades democráticas motivou o ensaio Mulher Submissa (1975).

Na escrita infantojuvenil a sua primeira preocupação foi divertir as crianças sem conteúdos moralistas tradicionais, mas também sem esconder os problemas ambientais e sociais do “mundo dos adultos”. Várias das suas obras infantis foram marcadas pela revolução democrática de 25 de abril de 1974, cujos valores e significados procurou explicar e transmitir aos mais novos em títulos como O Companheiro (reeditado este ano), Amizade Bate à Porta, Catarina de Todos Nós e Todas as Crianças da Terra). No entanto, os valores ecológicos e a contundência dessas preocupações foram uma das constantes mais presentes na sua obra, visto que “todos os machados da terra não valem o que é vivo”. Ficou bastante conhecido como um dos mais importantes autores de literatura infantil em português, sobretudo pelas suas obras Bichos, Bichinhos e Bicharocos (1950), Televisão da Bicharada (1962) e Valéria e a Vida (1976), este último livro pioneiro nas preocupações ambientais, com uma perturbadora atualidade e títulos ainda hoje reeditados sucessivamente.

Embora modificado devido à pandemia, a Fundação Sidónio Muralha, responsável pela difusão da obra do poeta, está programando um conjunto de atividades do centenário em Portugal e no Brasil, trabalho dinamizado por uma Comissão Organizadora que conta com a participação da Associação Promotora do Museu do Neo-realismo (Portugal) e de um grupo alargado de pesquisadores, de medidores e de artistas portugueses e brasileiros. Em Curitiba, a equipa da FSM está a levantar todo o espólio com vista à sua divulgação on-line, estando em desenvolvimento um novo site e redes sociais. A equipa multidisciplinar tem recolhido informação bibliográfica de toda a obra publicado deste autor, dos estudos sobre dele, dos artistas plásticos com quem colaborou, bem como de poemas editados em disco e/ou musicados, para futura divulgação em vários meios.  Entretanto, a dia 29 de julho, juntamente com o projetoTrilhas Literárias, teve lugar a live ““Como um balão para ser lançado ao ar: Sidónio Muralha e a poesia para infância” com a pesquisadora e escritora Jaqueline Conte (disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=onaAgcAFpts).

Em parceria com a Biblioteca Pública do Paraná, está a decorrer o projeto “Do outro lado do vídeo há um poema”, com leituras filmadas de poemas de Sidónio Muralha, por voluntários em Portugal e no Brasil, (vídeos disponíveis  em: http://www.bpp.pr.gov.br/Noticia/BPP-divulga-serie-de-videos-em-homenagem-ao-centenario-do-escritor-Sidonio-Muralha). Também em Portugal tem existindo atividades semelhantes, com especial enfoque para alguns vídeos com poemas declamados por Christiane de Macedo (veja-se https://www.facebook.com/paratodasascriancasdaterra/) publicado pelo Centro Intercultura Cidade.~

Em programa a divulgar oportunamente, para 2021 estão previstas novas atividades (entre elas uma exposição itinerante para a escolas, outros projetos expositivos no Brasil e em Portugal, um colóquio, bem como novas propostas editoriais), com vista a celebrar e a promover a redescoberta de Sidónio Muralha e da sua obra entre novos públicos e leitores.    

Para maiores informações, veja-se:

Instagram da Fundação Sidónio Muralha

Facebook da Fundação Sidónio Muralha

A Comissão Organizadora do Centenário de Sidónio Muralha, 2020

fsm.ifep@gmail.com

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