Para quem escrevemos?

“E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”

Foi com esta citação de José Saramago, do seu livro “A maior flor do mundo”, que iniciei o meu discurso no lançamento da minha primeira História para Acordar.

Afinal, para quem escrevemos nós, autores de histórias?

Escrevemos histórias infantis ou histórias amadurecidas pela experiência da vida?

Escrevemos histórias para crianças, para adolescentes rebeldes, para adultos ocupados ou para idosos com tempo para nos ouvirem?

“Para quem estás a escrever?”, questionava-me uma amiga depois de ler a minha próxima História para Acordar, intitulada “Fora da Caixa”.

Para quem escrevo, afinal?

Escrevo para quem quiser acolher as minhas histórias. Escrevo para bebés que adormecem a ouvir os pais contar histórias e que só mais tarde vão perceber as suas palavras. Escrevo para as crianças pequenas que acolhem as histórias de forma literal e que às vezes já são capazes de as contar por palavras suas aos pais ou avós. Escrevo para as crianças mais crescidas que já conseguem refletir sobre as mensagens que as histórias trazem consigo. Escrevo para os adolescentes que se atrevem a folhear um livro etiquetado como “infantil” e conseguem explorar os seus conceitos mais abstratos e subtis. Escrevo para os adultos que ousam parar e aprender com o menino que sonha viajar até às estrelas, com a tartaruga que decidiu ser e fazer diferente ou com a menina que tinha medo de sair fora da caixa. Escrevo para os mais velhinhos que revivem nas histórias de hoje as histórias de quando eram crianças.

E escrevo também para mim mesma. Porque cada história que escrevo ensina-me algo que eu precisava aprender.

Acredito cada vez mais que as histórias são para acordar a criança que existe dentro de cada um de nós, seja qual for a nossa idade. Cada um que a lê ou a escuta recebe-a de acordo com a sua idade, maturidade e experiência de vida.

Para quem escrevo? Para todos que quiserem ler ou ouvir uma história com o seu coração.

Sofia Coelho Branco

19 de Agosto de 2020

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