Xana “banana”

Todos os dias a Alexandra levava de lanche para a escola uma banana. A mãe dizia-lhe que era um bom lanche porque satisfazia a fome, dava energia, tinha fibra e potássio… o resto a Alexandra já nem ouvia. Enfiava a banana na mochila e lá ia. Tantas bananas comeu que começou a enjoá-las até já não as conseguir comer mais.

Para piorar tudo, os colegas de turma já tinham reparado que era sempre uma banana que ela lanchava e passaram a chamar-lhe Xana banana. Aí é que ela começou a detestá-las!

Preferiu deixar de lanchar e, para que a mãe não se zangasse com ela, deitava a banana no caixote do lixo.

Um dia, viu um menino de outra turma sozinho e a olhar para os outros com um ar triste. Aproximou-se dele:

– Posso sentar-me aqui contigo?

– Podes… mas eu não te conheço… Como te chamas?

– Alexandra, mas chama-me Xana. E tu?

– Marco. De que turma és?

Alexandra ia para responder mas ouviu uns barulhinhos que vinham da barriga de Marco. Desviou a conversa:

– Estás com fome? Não lanchaste?

– Hã… bem… o meu pai perdeu o emprego, só posso tomar o leite que nos dão cá na escola. Mas tu também não lanchas?

– Pois… a minha mãe dá-me sempre uma banana para o lanche mas eu já não consigo comê-las!

– Ah! Adoro bananas, logo que o meu pai tenha um novo emprego, vou pedir uma banana para trazer de lanche.

– Espera aí! Hoje ainda tenho aqui a minha, toma, come-a tu.

– Mas… não tenho nada para te dar em troca…

– Não faz mal, vou pedir outra coisa para trazer de lanche.

Nessa tarde, Alexandra criou coragem:

– Mãe, podes dar-me mais qualquer coisa para eu lanchar? Um pão com queijo?

– Estou a ver que andas com mais apetite! Fico contente, mas olha que tens de jantar quando chegares a casa!

No dia seguinte, Alexandra não cabia em si de contente: além da banana, levava na lancheira um pão com queijo!

No intervalo, foi ao encontro do seu novo amigo e durante umas semanas partilhavam o seu lanche: a banana para Marco, o pão para ela. Até ao dia em que Marco estava com os olhos mais alegres e brilhantes do que o costume.

– Xana! Nem sabes a boa notícia que tenho para te dar! O meu pai conseguiu um trabalho e olha, além de uma banana, trouxe um chocolate para comemorarmos!

E agora, logo quando tinha dado tão bom destino e valor à banana que trazia, já não tinha coragem de a voltar a deitar no caixote do lixo! Hoje é que ela ia precisar de coragem para outra coisa…

Levou a banana de volta para casa e, depois de muito pensar, achou que tinha tomado a melhor decisão.

– Xana, porque não comeste hoje a banana? Estás mal-disposta? Sentes-te doente?

– Mãe… eu… – Alexandra começou receosa e já com as lágrimas nos olhos mas lá conseguiu contar toda a história à mãe.

– Minha Xaninha, ficaria triste contigo se tivesses continuado a deitar as bananas no lixo. Mas elas afinal ensinaram-te o valor do que temos, não foi?

Alexandra acenou, ainda com as lágrimas a cair.

– Vamos então combinar uma coisa: eu começo a dar-te lanches mais variados mas tens de me prometer que me dirás quando não te agradarem e que me contarás sempre a verdade. E que vais comer não só o que te agrada mas o que é saudável. Vá lá, acenar só não vale. Promessa de escoteira?

– Sim! – E Alexandra deu um forte abraço à mãe.

Sandra Estêvão Rodrigues

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