Ema e a Estrela Carente

Depois de O elefante que não sabia voar, Sérgio Almeida regressa à Literatura Infantil e Juvenil com uma obra de fôlego: Ema e a Estrela Carente!

A história centra-se em Ema, uma menina de 9 anos movida a sonhos e curiosidade. Por mais que os pais e a professora lhe digam para deixar de estar sempre com a cabeça nas nuvens e se concentre nos estudos, a sua inquietude é maior. Numa noite em que o sono teimava em não vir, a jovem descobre uma estrela que, pelo movimento e luminosidade constantes, parece querer comunicar com ela. Quando decifra que a estrela está perdida na imensidão do céu, resolve ajudá-la na hora, tarefa que leva a bom porto!

A narrativa, quer do ponto de vista do argumento (simples, mas consistente), quer através da articulação das suas (5) partes, é estruturada, e agradável de ler. A aparente densidade do texto é sabiamente matizada por duas ou três estratégias narrativas, suscetíveis de captar a atenção do leitor (autónomo): o evidente humor na descrição de alguns episódios; a convocação do leitor através de perguntas (até sobre o curso da narrativa); os diálogos que, não sendo abundantes, oferecem ao texto o equilíbrio necessário para que se torne dinâmico; a tipologia, aparentemente inconciliável, das personagens com recurso à personificação no caso da estrela e ao realismo imagético no caso de Ema, fascinada pela noite e as suas estrelas.

Finalmente, o desenlace surpreendente da narrativa deixa ao leitor a possibilidade de (re)pensar a matéria dos sonhos:

«Era óbvio que tinha sido tudo o produto da sua imaginação. Como podia ter confundido dessa forma tão ingénua o sonho e a realidade?» [mas] (…)«do interior da almofada se desprenderam dois objetos que deixaram Ema sem palavras: um pequeno frasco de pó de estrelas e uma grossa fatia de queijo.»

As ilustrações de Carla Monteiro, apesar de figurativas, seduzem pela forte paleta de cores, pela conjugação visual entre universos aparentemente inacessíveis, sem deixar de oferecer, em alguns apontamentos, pontes (não pontos) de vista divergentes do texto, o que enriquece a narrativa e manifesta uma simbiose perfeita entre texto e imagem.

Um livro a ler, sem dúvida! E a partilhar, nem que seja em código Morse!

Sérgio Almeida (2020). Ema e a Estrela Carente. (Ilustração: Carla Monteiro). Rio Tinto: Mosaico de Palavras.

Leave a Reply

RECEBE NOTÍCIAS D'A CASA DO JOÃO!

Obrigado por te juntares à Tribo!

Algo está errado! Tenta de novo, por favor!

A Casa do João will use the information you provide on this form to be in touch with you and to provide updates and marketing.
%d bloggers like this: