Clubes de Leitura, uma realidade

O ato de ler já não é um ato solitário!

Falar em livros e em leituras leva-nos a falar em partilhar esses livros e essas leituras e as redes de partilha proliferam, quer presencialmente, quer nas redes sociais. Graças às tecnologias, que conduzem à criação de espaços de leitura híbridos, em que o mundo digital se cruza com o mundo real, o leitor tem novas experiências e novas dinâmicas de leitura. Ler, criticar, recomendar livros, ter oportunidade de conversar sobre e com os seus autores são um bom motivo para que os Clubes de Leitura sejam uma realidade.

Faço parte de um Clube de Leitura, na Biblioteca Municipal de S. João da Madeira. Um clube de Leitura existe para quem gosta muito de ler e, sobretudo, para quem gosta de ter com quem conversar sobre os livros lidos. Se o grupo criado é interessante q. b., torna-se um excelente pretexto para sair de casa e conviver tendo os livros como elemento de união.

As sessões acabam por ser dinâmicas, muito participadas, por vezes acaloradas, por vezes choradas. Umas vezes despertam gargalhadas, outras vezes despertam profundas reflexões, de acordo com os temas dos livros lidos.

Mais do que analisar as obras, o objetivo de um Clube de Leitura é proporcionar a troca de experiências de leitura. A mesma obra, lida por pessoas com vivências diferentes, proporciona análises diferentes, naturalmente. Mas, mais do que análise literária (que também se pode fazer), o mais importante é analisar sensações e sentimentos que o livro despertou em cada leitor. E é muito gratificante haver a possibilidade de conviver, também, com os autores dos livros que aceitem o convite para estarem presentes.

Se não frequenta um Clube de Leitura, deveria pensar nisso. Se não existe um já criado, na sua zona de residência, poderá sempre pensar em criar um. Apenas alguns conselhos:

  • Tenha em conta o público que pretende convidar para fazer parte do seu clube, pois o grupo deve ser coeso;
  • As sessões presenciais devem ter data fixa e funcionar num local aprazível;
  • A escolha dos livros a ler deve ser consensual;
  • O Clube deve ser amplamente divulgado para poder ser alargado.

E onde criar um Clube de Leitura? Na Biblioteca Municipal (se é bibliotecário), na escola (se é professor ou aluno), ou em casa, como fizeram as personagens dos seguintes filmes: O Clube de Leitura de Jane Austen (um clube fundado para se discutir unicamente a obra da escritora inglesa Jane Austen; Do jeito que elas querem (Book Club no original), onde quatro amigas sexagenárias se reúnem regularmente para  lerem e comentarem várias obras até que uma propõe a leitura de As 50 sombras de Grey, o que vai mudar as suas vidas e o modo como encaram a sua sexualidade; A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata, realizado a partir do livro de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows, cujo enredo decorre em Guernsey, ocupada pelas tropas alemãs durante a segunda Guerra Mundial, onde as pessoas formam um clube secreto a que dão o nome de “Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata”.

Não sendo, de todo, possível criar ou participar num Clube de Leitura presencial, as redes sociais oferecem uma panóplia de escolhas (grupos no Facebook, Goodreads, Whattpad, entre outros), a questão é, apenas, querer.

Se, como disse Umberto Eco, “O mundo está cheio de livros fantásticos que ninguém lê”, um Clube de Leitura vai permitir atenuar esta ideia. Há sempre alguém que já leu um livro que ainda mais ninguém tinha lido e, sugerindo a sua leitura, é menos um nas estatísticas dos livros não lidos.

Ana Paula Oliveira, junho 2020

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