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Tela, papel, tesouro?

Sou Leitora (a maiúscula não é uma gralha) e isso significa para mim uma ligação vital às letras, às palavras, aos textos, aos livros impressos ou, mesmo, digitais (embora com menor intensidade – devo confessar).

Gosto de ler, dar a ler e de ouvir ler – que bem sabe conhecer uma história que é partilhada em voz alta, contada com nervo e coração por alguém! Gosto de sentir, primeiro, o silêncio dos textos, timidamente visíveis no papel, um tesouro a descobrir, para, depois, aos poucos, começar a perscrutar os seus sons, as melodias que guardam, ansiosas por alguém que as ouça e as aprecie.

E, assim, se é, para mim, impossível viver sem livros nas mãos, respirar sem o oxigénio que a literatura me oferece, olhar o mundo sem me aventurar numa leitura que muito deve a tudo o que li, também seria uma perda irreparável fechar os olhos à escrita digitalmente disponível, àquela que a tela abre. Tenho, na verdade, uma relação dilemática com a leitura digital, porque gosto de ler – e, por isso, é muito bom poder aceder a palavras afastadas das mãos, como são as que se apresentam em suporte digital, situadas, por vezes, num universo geograficamente distante e, por isso, colectivas, virtuais, viajantes da web –, mas também me conforta profundamente esse livro que tem cheiro, capa, por vezes, até, texturas, esse livro que posso ter perto das mãos, dos olhos e do coração, esse livro que, como a Leónia ou o tal incrível rapaz que devorava livros, dou por mim a querer como apetitoso alimento.

Sou Leitora e, portanto, convivo e alegro-me ora com a leitura presencial, celebrada no meu espaço individual ou repartida com aqueles de quem gosto (e também com aqueles que visitam as minhas salas de aula), ora com a leitura digital que está sempre a piscar-nos o olho e a quem eu sempre digo: «Obrigada por existires e por me acompanhares, mas fica, desde já, a saber que não és tu que vais entristecer os meus livros em papel; não é contigo que eu vou viajar de comboio; e não é contigo que eu vou partilhar o meu colo com uns certos meninos…». Creio ter dito tudo.

Sara Reis da Silva

Instituto de Educação – Centro de Investigação em Estudos da Criança da Universidade do Minho

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