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A arte pode não ser a solução para tudo, mas ajuda

Há relativamente pouco tempo convidaram-me para ir a uma palestra sobre doenças mentais. A par dessa palestra, as pessoas podiam visitar a exposição de fotografia que estava patente ao público sobre o tema e que se intitulava “Tu não és a tua doença”. Não pretendo falar sobre o assunto, deixo isso para os profissionais da especialidade, no entanto, durante a palestra, e quando nos foi permitido intervir, também eu falei sobre a minha experiência pessoal.  Sou Educadora de Infância, mãe de três filhos, dois jovens adultos e de uma adolescente.

 A vida tal como ela é, com aprendizagens mútuas, tropeços, cansaços, doenças, rotinas, nostalgia, monotonia, privação de sonhos, prioridades, crescimento, diversidade de personalidades, educação, saúde, casa, família e o esquecimento muitas vezes de nós mesmos. Enfim, um atulhado de realidades que nos formam como pessoas e também nos fragilizam.

 A depressão, tal como outras doenças, é uma doença mental. Até ao momento, nunca tive uma depressão, porém, não significa que não vá ter uma posteriormente.

Sempre gostei de desenhar e pintar desde pequenina. O meu avô sempre me encorajou, até me dizia que ia ser uma artista.

 A minha reação era sempre um eterno e silencioso sorriso. Pensava que o meu avô tinha uma imaginação maior do que a minha, e apesar da seriedade da sua opinião, nunca lhe dei a mesma seriedade. Só queria me entreter, passar o tempo da melhor maneira. Desenhar e pintar dava-me prazer e satisfação pessoal. Isso era o mais importante.

Agora sei o quanto a arte nos faz bem. Seja qual for a forma de arte ou a sua expressão. Podemos andar distraídos, podemos entregarmo-nos de corpo e alma à família, à profissão porque a vida assim o exige, mas a arte está lá. Adormecida, talvez, ou a borbulhar na pele, e por mais que a tentamos deter, ela acaba por desabrochar um dia. Um dia sim, um dia ela floresce.

 É possível viver sem arte, mas sem ela, a vida é insípida e um lugar inóspito. Pessoalmente, não consigo viver sem ela. Faz parte da minha própria vida.  Faz parte do meu convívio íntimo.

Vi e estive várias vezes perto de uma depressão, mas a arte salvou-me. Não sei se me vai salvar sempre, mas até hoje salvou-me.

Pois bem, devem estar a pensar, que isto é tudo muito bonito, é fácil falar, só quem passa por elas é que sabe. Sim, têm razão, mas acreditem que a arte ajuda, e muito.

 É evidente que depende de pessoa para pessoa, das suas vivências e traumas, mas a mim, a arte liberta-me, emociona-me, faz-me sonhar, faz-me caminhar, mostra-me outras visões e perspetivas sobre a vida e sobre o Homem.

A arte torna-me mais humana e emocionalmente mais saudável.

No livro de poesia de minha autoria “Passei Como Um Sussurro Para Que Escutasses O Vento” contém um poema que fala disso mesmo, da arte como um possível antídoto.

“Somos apenas as paisagens que habitamos

revestimos o corpo de sóis e luas

somos o vento que emerge suave

e fundo circunda o escuro do olhar

somos a essência contínua

de energia cósmica

onde apenas a arte

adia a morte”.

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