Casa Museu Egas Moniz

Os museus, por modestos que sejam, são centros de educação e regalo espiritual; quisera um em cada cidade, em cada vila e em cada aldeia para que o povo se elevasse na comunhão espiritual do Belo.

Egas Moniz

Egas Moniz (António Caetano de Abreu Freire) nasceu a 29 de novembro de 1874 em Avanca, concelho de Estarreja, na Casa do Marinheiro. Esta deslumbrante e imponente moradia pertencera já aos seus antepassados, tendo sido aqui que o conceituado médico e professor passara e vivera toda a sua infância. Dentro e fora de portas, aquele que mais tarde viria a ser uma das mais influentes pessoas ligadas à área da saúde, pôde correr, brincar, descobrir e colecionar memórias que o acompanharam durante toda a vida.

Depois de iniciar o seu percurso académico na Escola Primária de Pardilhó e de lhe serem conhecidas passagens pelo Colégio de S. Fiel dos Jesuítas e pelo liceu de Viseu, Egas Moniz assina a sua matrícula no curso de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. A cidade mencionada anteriormente vê-lo-ia terminar o curso em 1899, o respetivo doutoramento em 1902 e acolheria aquele que, a partir de 1903, se estabeleceria como Professor Catedrático da própria instituição onde se formara. Aos 29 anos de idade, eram-lhe já reconhecidas aptidões e funções pouco características da sua faixa etária, fruto do seu vasto e rico conhecimento e da sua dedicação ao bem medicinal. Oito anos volvidos, seria convidado a ocupar a cadeira de Neurologia em Lisboa, cuja criação havia sido feita pela República e cujo ensino representava uma estreia entre os objetos de estudo disponibilizados em território nacional.

Paralelamente à sua dedicação pela medicina, Egas Moniz foi ainda uma personalidade ativa no campo da política durante os derradeiros anos da Monarquia e da vigência da primeira República. Desta forma, acumulou funções como Deputado de diversas Legislaturas entre 1900 e 1917 e como Ministro de Portugal em Madrid (1917), Ministro dos Negócios Estrangeiros (1917-1918) e ainda como primeiro Presidente da Delegação Portuguesa à Conferência da Paz (1918). A sua ideologia democrata fez com que combatesse qualquer forma de Ditadura, ato que lhe custou diversas críticas em certas fases da sua vida.

A obra de Egas Moniz fica fortemente ligado ao desenvolvimento da Angiografia e à descoberta da Leucotomia Pré-Frontal, em 1935, enquanto dedicava o seu empenho ao estudo das doenças mentais. De forma muito resumida, este método consistia em cortar a substância branca dos hemisférios cerebrais para que se pudesse proceder ao tratamento, por exemplo, da esquizofrenia e de psicoses. Este desenvolvimento no cuidado dos doentes mentais e o aperfeiçoamento de uma técnica que mereceu rasgados elogios, tanto a nível nacional como a nível internacional, resultariam na atribuição do Prémio Nobel da Medicina a 27 de outubro de 1949.

Para além de cidadão português, Egas Moniz cria também uma assinatura mundial, conforme fica comprovado pelo seu percurso e pela sua longa e vasta carreira. Havia, no entanto, um sítio que não esquecia na hora de celebrar os seus feitos. Um sítio que era mais que a sua primeira casa e que a sua primeira morada. Um sítio que encerrava as memórias e os valores que lhe haviam moldado a personalidade e a forma com que encarava a vida. Um sítio que se dava pelo nome de Casa do Marinheiro, como já foi referido anteriormente. A primeira morada de Egas Moniz seria transformada em casa de férias, em 1915, após um período menos bom que por pouco não causava a sua completa ruína. Com a salvação de uma obra que lhe significava muito e que o transportava para as vivências ternurentas do antigamente, o conceituado médico prestava uma sentida homenagem a uma família que, geração após geração, foi perdendo todos os seus elementos. Para além de admiráveis feitos nas áreas da educação, da investigação e da medicina, Egas Moniz revelou ter um aprimorado sentido de bom gosto no que toca a peças de arte, fossem estas esculpidas ou pintadas. A forma como fazia uso das suas aquisições definiam-no como um apreciador da arte e do belo, ao invés de o colocarem em pé de igualdade com um colecionador. A 14 de julho de 1968 a Casa do Marinheiro passava a ser, oficialmente, a Casa Museu Egas Moniz.

João Caçador

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