“É pró menino e prá menina”, uma peça para crianças sobre estereótipos de género

A partir do ato de brincar, com bonecas, carrinhos, bolas e sapatilhas, a encenadora Catarina Requeijo criou o espetáculo para a infância “É pró menino e prá menina”, que tenta desmontar alguns preconceitos e estereótipos de género.

Com estreia marcada para o dia 17 no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa, a peça é protagonizada pelos atores João Nunes Monteiro e Marta Cerqueira, no papel de duas crianças entretidas com os seus brinquedos e separadas por uma linha vermelha.

Na peça, construída praticamente sem texto, as duas personagens entretêm-se com brinquedos que, de uma forma normativa, estão associados a estereótipos masculinos ou femininos: Ele brinca com luvas de boxe, carrinhos, bola de futebol, enquanto ela com um serviço de loiça cor-de-rosa, com um boneco bebé, com sapatilhas de ballet.

Há um momento, porém, em que interagem, começam a experimentar brinquedos um do outro – invadindo o espaço um do outro – e constroem uma pista com uma ponte que ultrapassa e transgride a linha vermelha que os divide.

Foi nesta construção simples em palco, recorrendo simbolicamente aos brinquedos, que a encenadora Catarina Requeijo assentou a ideia de abordar questões sobre género, a pensar num público muito inicial, entre os três e os seis anos.

Há duas décadas a trabalhar em teatro para a infância, Catarina Requeijo explicou que fez pesquisa em contexto escolar para perceber melhor o comportamento das crianças enquanto brincam. Do trabalho de campo verificou que, inconscientemente, ainda se prolongam estereótipos. Nas escolas e em ambiente familiar.

A linha vermelha que divide o palco prolonga-se na plateia. Ao chegar à sala, o público é convidado a sentar-se de forma separada, exatamente como acontece na peça: Meninos para um lado e meninas para o outro, precisamente para lhes provocar questões sobre o assunto.

A encenadora acredita que esta é uma das primeiras encenações de teatro em Portugal sobre igualdade de género direcionada para um público tão novo, numa peça onde se promove a ideia de que “rapazes e raparigas podem ser aquilo que quiserem”.

“É pró menino e prá menina” estará em cena em Lisboa até ao dia 23, estando previstas oficinas sobre o tema destinadas especificamente para educadores de infância.

Depois de Lisboa, a peça circulará pelo país, estando confirmadas representações em Ovar, Loulé, Guimarães, Almada e concelhos do Vale do Tejo.

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