Felizes sim, mas sem gostar da escola

Cerca de 30% dos adolescentes dizem não gostar da escola, apontando que “o pior” é a comida do refeitório e as aulas e o “menos mau” os intervalos, revela o estudo Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) 2018.

O estudo pretende estudar os estilos de vida dos adolescentes em idade escolar nos seus contextos de vida, em áreas como o apoio familiar, escola, amigos, saúde, bem-estar, sono, sexualidade, alimentação, lazer, sedentarismo, consumo de substâncias, violência e migrações.

De acordo com o estudo, 29,6% dos jovens não gostam da escola, considerando que o pior é “comida do refeitório” (58,3%) e as aulas (35,3%) e o “menos mau” são os intervalos/recreios (8,3%).

Os alunos sugerem que, para melhorar a comida do refeitório, esta “ser melhor cozinhada (57,2%)” e “mais variada (44,2%)”.

A grande maioria (80,3%) dos alunos sente-se sempre ou quase sempre segura na escola, enquanto 13,7% referem que sentem muita pressão com os trabalhos da escola.

Já 85,6% disseram que só faltam às aulas quando estão doentes ou têm algum imprevisto, refere o estudo, indicando ainda que 14,2% dos jovens considera-se, na opinião dos professores, “muito bom aluno” e 51,8% avalia-se como um aluno com pouco ou nenhum sucesso académico.

As dificuldades apontadas na escola são que, às vezes ou sempre, a matéria é demasiada (87,2%), aborrecida (84,9%), difícil (82%) e a avaliação “um stresse” (77%). Mais de metade aponta a pressão dos pais pelas boas notas.

A maioria (54,8%) disse que pretende prosseguir os estudos universitários e cerca de um terço dos alunos do 8.º e 10.º anos tem fracas expectativas face ao seu futuro profissional, ou não sabe.

O estudo realça a importância de estarem disponíveis na família, na escola e na comunidade/autarquia “ações com crianças e adolescentes, que promovam o gosto e o usufruto na e pela escola, uma alimentação saborosa e saudável, o aumento de expectativas face à escola, às matérias escolares e ao seu impacto no futuro profissional”.

“O afastamento dos alunos portugueses da escola tem sido referido em relatórios anteriores e estes resultados merecem uma continuidade/incremento de ações de revisão curricular no que diz respeito à adequação, relevância e extensão das matérias escolares”, defende o HBSC.

Sublinha ainda que “o aspeto da gestão da ansiedade relacionada com as avaliações e os trabalhos da escola, bem como a pressão dos pais face às classificações, fica a merecer reflexão”.

O estudo revela também que 79,3% dos adolescentes têm três ou mais amigos, embora 26,4% confessem ser difícil fazer novos amigos.

Quase dois terços disseram conhecer pessoalmente todos os seus amigos, enquanto 34,1% referem que têm um ou mais amigos que só conhecem “virtualmente”

Nos tempos livres, 56,6% usam o telemóvel, 46,9% ouvem música e 35,7% dormem, em todos os casos várias horas por dia, e 50,7% afirmam que é a “falta de tempo” que os impede de desenvolver mais atividades de lazer.

Metade dos inquiridos disse que raramente ou nunca lê, 80% raramente ou nunca fazem atividades de voluntariado, 65,7% raramente ou nunca frequentam atividades religiosas e 86% raramente ou nunca têm intervenção associativa ou política.

Nesta área, o estudo defende a importância de “ações com crianças e adolescentes, que promovam a gestão do tempo, o convívio entre pares à volta de atividades de caráter cultural, artístico ou desportivo e ainda, a participação social e exercício da cidadania ativa”.

Leave a Reply

Obrigado pr subscreveres a nossa página!

Algo está errado! Tenta de novo, por favor!

A Casa do João will use the information you provide on this form to be in touch with you and to provide updates and marketing.
%d bloggers like this: