Sophia: ‘beleza tão alta e exata’

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004), natural do Porto, foi condecorada três vezes pela República Portuguesa e distinguida com 13 prémios literários, entre outros galardões.

A poetisa morreu dez dias antes de receber a Medalha de Honra do Presidente do Chile, por ocasião do centenário do nascimento de Pablo Neruda.

O Prémio Rainha Sofia de Espanha, em 2003, foi o último galardão que recebeu em vida, de uma lista iniciada em 1964, quando recebeu o Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores, pelo livro ‘Canto Sexto’.

Em 1977, ‘O Nome das Coisas’ vale-lhe o Prémio Teixeira de Pascoaes e, em 1984, a Associação Internacional de Críticos Literários entregou-lhe o Prémio da Crítica pela totalidade da obra.

Em 1989, foi distinguida com o Prémio D. Dinis pelo livro de poesia ‘Ilhas’, Grande Prémio de Poesia Inasset/Inapa, no ano seguinte. Em 1992, voltou a ser premiada pela totalidade da obra, desta feita, com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian para Crianças.

A autora escreveu várias obras para crianças e jovens, nomeadamente, ‘A menina do mar’ (1958), ‘A Fada Oriana’ (1958), ‘A noite de Natal’ (1959), ‘O Cavaleiro da Dinamarca’ (1964), ‘O Tesouro’ (1970), ‘A Árvore’ (1985).

Em 1994, a Associação Portuguesa de Escritores outorgou-lhe o Prémio 50 anos de Vida Literária e, em 1996, foi homenageada no Carrefour des Litératures (França), um ano depois de ter sido distinguida com o Prémio Petrarca pela Associação de Editores Italianos.

A autora escreveu ainda teatro, designadamente ‘Não chores minha Querida’ (1993) e ‘O Colar (2001), ensaios, entre eles, ‘A poesia de Cecíla Meyrelles’ (1956) e ‘Luiz de Camões. Ensombramentos e Descobrimentos’ (1986), e traduziu autores como Dante Alighieri, William Shakespeare, Paul Claudel e Eurípedes.

Em 1998, o seu livro ‘O búzio de cós’ valeu-lhe o Prémio Luís Miguel Nava.

Em 1999, foi distinguida com o Prémio Camões.

Em 1981, foi condecorada com o grau de Grã Oficial da Ordem de Sant’Iago e Espada, em 1987, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, no ano seguinte, com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada.

Na cerimónia de entrega, o Presidente da República Jorge Sampaio salientou a ‘beleza tão alta e exata’ que fez da sua obra ‘uma das criações em que nos revemos e de que nos orgulhamos’.

Nessa ocasião, a poetisa afirmou que foi numa viagem de autocarro que intuiu a natureza do mistério da poesia, ao reparar que a janela através da qual olhava coincidia por vezes com as janelas das casas. ‘Pensei que talvez fosse isso: as palavras às vezes coincidiam com os seus significados, e depois deixam de coincidir, e voltam a coincidir outra vez’.

A poesia de Sophia continua a ser descoberta. Em setembro, foi publicado o poema ‘Príncipe Estranho’, que se encontrava inédito e foi publicado no âmbito da coleção de CD ‘Dizem os poetas…’, que incluiu poemas ditos pela autora e por ‘dizedores’ como Rui Portulez, Carla Bolito e Isabel Abreu.

Em janeiro de 2018, no âmbito da Temporada d’Arcos, em Torres Vedras, foram estreadas ‘Canções Helénicas de Sophia’, compostas por Nuno Côrte-Real, a partir de poemas de Sophia, num concerto protagonizado pela Orquestra Sinfónica de Castela e Leão, dirigida pelo compositor, com interpretação da soprano Elisabete Matos, a quem a obra é dedicada.

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