“No fundo do lago”, ou “o que há para lá de tudo”…

Imaginar, e nesse âmbito, ver e fazer, coisas novas pode ajudar/nos a ver com olhos novos as coisas banais do dia a dia. Está pode ser a legenda de “No fundo do lago”, o livro de estreia do Norte-americano Joseph Kuefler (Bizâncio, 2018, tradução de Jorge Lima).

Ernesto, o protagonista desta aventura, decide explorar as profundezas do lago que existe perto de sua casa. Depressa conclui que o seu lago não tem fundo, o que lhe parece uma coisa fantástica. Por isso, com o seu cão, mergulha “pelo lago abaixo sem fundo”, “por recantos sem luz e tesouros afundados”, “até que, por fim, veio à tona do outro lado do lago.”

Este lado de lá do lago era grande, cheio de sons, com coisas pequenas e grandes, de todos os tamanhos e formas, só para ele, mas também macabro e sinistro. E, entre o pôr-da-lua e o nascer-do-sol, Ernesto olhou a infinitude da sua terra recém-descoberta. E tudo isto estava escondido no fundo de um lago, disse Ernesto. Que coisa fantástica.» Por isso voltou ao seu lago e, por ele, ao mundo… «só que o mundo já não era como o tinha deixado. A sua casa parecia um pouco mais pequena (…). E a sua cidade parecia um pouco menos banal.»

Assim mesmo, descobrir e explorar mundos novos (palavras, conceitos, ideias, experiências, agradáveis e bizarras) constitui uma forma de transformar o mundo em que se vive e, sobretudo, a nossa mundividência, isto é, a nossa conceção/visão do mundo.

A ilustração harmoniza-se com o texto, oferecendo diferentes perspetivas de leitura: de baixo para cima, de cima para baixo, sem dispensar os grandes planos de página dupla. Os tons de azul e os suaves e pálidos verdes sugerem a viagem aquática encetada ou a uma exploração da natureza. A presença do cão em todas as duplas páginas aporta uma possível mais valia de significa a que o texto apenas alude.

Uma magnífica parábola sobre a importância da descoberta, exploração e interação com o que é novo e diferente. Por tantas razões e, sobretudo, para ver de novo o habitual e o conhecido. Uma bela chamada de atenção para “o que há para lá de tudo”.

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