Um livro para todas as estações

Poemas para As Quatro Estações, de Manuela Leitão & Catarina Correia Marques (Máquina de Voar, 2018: 2.ª edição) é uma coletânea de textos poéticos, repartidos, como sugere o título, pelas quatro estações do ano: sete sobre a primavera, seis sobre o verão, cinco sobre o outono e seis sobre o inverno.

Em bom rigor, só os poemas iniciais de cada ciclo são sobre a estação respetiva, divergindo os seguintes para motivos que lhe são associados, como os frutos (“cerejas”, “Morangos”, “Ginkgo biloba”, “Figo”, “Amoras”, castanhas, e “Romã”) e as árvores (“Árvores caducas” e “Magnólia”), os animais (“Andorinhas”, “Cuco-canoro”), as atividades específicas de cada uma (“Passeio com o avô”, “Como fazer o melhor castelo de areia”, “Menu Serrano”, “Receita para esperar o inverno”) e até as festividades como o S. Martinho (“A lenda de 11 de novembro) e o Natal (“Uma noite de dezembro”).

A linguagem, apesar da aparente simplicidade, é cuidada, sendo evidente um apurado trabalho do código fónico-rítmico (a rima e o ritmo, a musicalidade e a cadência são evidentes) e métrico (que oferecendo um padrão variável, enriquece o livro), conjugada com de figuras de estilo, como metáforas, imagens e significados que captam a realidade dos acontecimentos (as estações) e das pessoas, remetendo-as para o universo da emoção, dos sentimentos e da criatividade. Ao nível técnico-compositivo subsiste uma articulação entre forma e conteúdo, concretizada em jogos de palavras, apartes da oralidade, perguntas, monólogos (imaginados e imaginários), diálogos e interpelações (diretas e indiretas) ao leitor (ex: “Morangos”), além de versos conclusivos de configuração conotativa especial (ex: “Cerejas”).

Apesar do denominador comum – a temática das estações – os poemas oferecem diferentes paletas de significado e um abundante conjunto de recursos poéticos que, garantimos, captarão a atenção do leitor.

Acresce ao texto poético uma ilustração igualmente poética, numa simbiose entre o traço a negro e a cor, com detalhes verdadeiramente surpreendentes e inesperados (como, por exemplo, as ilustrações de “Cerejas”, “A que cheira o verão” e “O outono entra sempre pela janela”, entre outros), suscetíveis de “conduzir” o leitor a outros patamares de entendimento e de reflexão.

Os paratextos do livro são igualmente cuidados, desde logo pelo título (que destaca a indicação “poemas para” pela cor e “As quatro estações” pelo tamanho), pela lisura da fonte utilizada, pelo índice, inserido nas guardas finais do livro e, pela diferença de cor atribuída aos poemas de cada estação (verde, a primavera; amarelo, o verão; castanho, o outono; e azul, o inverno) o que permite distinguir os textos próprios de cada estação, com recurso a uma estratégia simples e, sobretudo, sem quebrar a harmonia visual do texto.

Um excelente livro de poemas para todas as estações!

Leave a Reply

Obrigado por te juntares à Tribo!

Algo está errado! Tenta de novo, por favor!

A Casa do João will use the information you provide on this form to be in touch with you and to provide updates and marketing.
%d bloggers like this: