O homem que só queria ser Tóssan

O nome de António Fernando dos Santos não dirá muito a quase ninguém. Já o do ilustrador Tóssan, seu alter-ego, corresponde a um “humorista total” e a um “poeta do absurdo”, conforme o define Jorge Silva, comissário da exposição “Tóssan — A Vida é Engraçada Mas Eu Levo-a a Sério”, que será inaugurada esta quarta-feira, 3 de outubro, pelas 17 horas, na Casa do Design de Matosinhos.

Organizada pela Câmara Municipal de Matosinhos, pela Câmara Municipal de Setúbal e pela esad—idea, Investigação em Design e Arte, a exposição estará patente na Casa do Design Matosinhos até 2 de março de 2019, reunindo oespólio do multifacetado artista, designer, ilustrador, humorista e poeta, objeto de homenagem na última edição da Festa da Ilustração 2018, que decorreu em Setúbal durante o mês de junho.
“Não há melhores palavras para definir o artista do que as proferidas pelo historiador e ensaísta brasileiro, embaixador Alberto da Costa e Silva: ‘Não queria ser um grande artista, nem um grande ator, escritor ou pintor. Ele queria ser o Tóssan e o Tóssan ele foi plenamente’”, considera o comissário da exposição, Jorge Silva, designer e fundador do atelier Silvadesigners. Nascido em Vila Real de Santo António, em 1918, António Fernando dos Santos faleceu em 1991, em Lisboa, depois de uma vida artística multifacetada que o levou a passar pelo jornal “Diário de Lisboa” ou pela editora Terra Livre.
“Tóssan — A Vida é Engraçada Mas Eu Levo-a a Sério” reúne ilustrações, caricaturas, desenhos e rascunhos de um artista que não queria mais do que descobrir a própria identidade. “Era o humorista total, o poeta do absurdo, o declamador de memória prodigiosa, o incrível conviva que reinava em jantares e festas, desfiando ininterruptamente histórias fantásticas que muitas vezes eram apenas episódios da sua vida real, o eterno apaixonado pela infância, que brindava as crianças que não teve com jogos desenhados e papéis recortados. Tóssan era o vulcão explosivo que contagiava tudo o que tocava”, recorda Jorge Silva.
“Escrevia para a gaveta, em centenas de papéis rabiscados com ideias, esboços e poemas completos, de um nonsense e humor irresistíveis, a dar um sentido à vida, que Tóssan acreditava absurda. A célebre ‘Ode ao Futebol’, escrita em 1945, só veio a público em 1969, declamada no programa ‘Zip Zip’ e impressa no jornal ‘A Bola’. Raúl Solnado e Mário Viegas apreciavam-no e vaticinavam-lhe glórias que Tóssan nunca quis cumprir. […] Designer e ilustrador, foi tão bom como os melhores, sempre a favor dos ventos, mesclando nas páginas impressas as influências dos grandes artistas seus contemporâneos”, descreve ainda o coordenador da exposição.

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