Os Pais precisam de…

Augusto Cury (1958) é doutor em psicanálise, professor, escritor brasileiro e médico psiquiatra. É o autor da Teoria da Inteligência Multifocal e seus livros foram publicados em mais de 70 países, com mais de 25 milhões de livros vendidos no Brasil

Foi considerado o autor mais lido da última década no Brasil, pela revista ISTOÉ e pelo jornal Folha de S. Paulo. Recebeu o prémio de melhor ficção do ano de 2009 pela Academia Chinesa de Literatura, pelo livro O Vendedor de Sonhos, que foi adaptado para o cinema em 2016, uma produção brasileira com direção de Jayme Monjardim.

Cury desenvolveu a teoria da Inteligência Multifocal, que visa a explicar o funcionamento da mente humana e as formas para exercer maior domínio sobre a nossa vida por meio da inteligência e pensamento, operacionalizando-se na metodologia utilizada nas escolas Menthes, do qual promove o desenvolvimento emocional de crianças, adolescentes e adultos bem como no projeto Escola da Inteligência que tem como principal objetivo a formação de pensadores através do ensino das funções intelectuais e emocionais mais importantes para crianças e adolescentes, tais como, pensar antes de reagir, a proteção de sua emoção, o colocar-se no lugar dos outros, expor e não impor as suas ideias.

Numa entrevista à revista “Cláudia”, no seguimento do que escreveu no livro Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, Augusto Cury tece algumas considerações sobre a educação das crianças, o papel de pais e professores na formação de jovens e deixa alguns desafios (a modo de imperativos educacionais).

Nunca tivemos uma geração tão triste

Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos de ensinar as nossas crianças a fazerem pausas e a contemplar o belo. Esta geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos os nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa de se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a aventurar-se, a ter contato com a natureza, a encantar-se com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais.

Os Pais precisam de criar intimidade com os filhos

Os Pais que não cruzam o seu mundo com o dos filhos e só atuam como manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com as crianças, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa de ser qualitativo. Quinze minutos semanais podem valer por um ano. Pais têm de ser os mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam de mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas esquecem-se das habilidades sócio-emocionais.

Incentivar mais e criticar menos

Em vez de apontar falhas, os pais devem promover a vitórias. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenas vitórias e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam d ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis.

Mais brincadeira, menos informação

Criança tem de ter infância. Precisa de brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam diante dos écrans. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, de se interiorizar, de brincar e de contemplar o belo.

Conselho final para os pais

Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir dizer “não”, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para atuar como verdadeiros mestres, os pais precisam de estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o telemóvel no fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem desconectar-se. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo de síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar a mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?

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