O que acontece no cérebro quando se lê poesia!?

«Poesia: dardos em forma de palavras que vão diretamente para a parte mais emocional do nosso cérebro. Há poemas que despertam um tsunami emotivo real e nos arrepiam.»

Quem o afirma é a psicóloga Jennifer Delgado Suárez.

Ao ler este texto, publicado na Revista Pensar Contemporâneo, senti uma alegria e comoção interior desmedidas. Viva! Viva a poesia!, gritei. A razão deste contentamento: parece que a (neuro)ciência comprova o que tem sido dito pela teoria e por alguma investigação de campo… A poesia faz bem! Dá saúde! Faz crescer!

Mas voltemos ao artigo, destacando as afirmações centrais:

1 – A poesia tem a capacidade de enviar poderosas mensagens emocionais e ativar a reflexão, ainda que seja certo dizer que o maior prazer que sentimos ao ler um poema, como quando desfrutamos de uma obra de arte, não provém de uma reflexão profunda, mas de sensações que nós experimentamos.

2 – A poesia gera mais prazer, a nível cerebral, que a música. Não precisamos do termo comparativo, bastava dizer que gera prazer.

Pesquisadores pediram a um grupo de pessoas, alguns liam poesia com frequência, para ouvir poemas lidos em voz alta. (…). Enquanto os voluntários escutavam os poemas, os pesquisadores registravam o ritmo cardíaco, expressões faciais e até mesmo os movimentos dos pelos sobre a pele. (…). Curiosamente, todas as pessoas, mesmo aquelas que não tinham costume de ler poesia, relatavam calafrios em algum momento durante e leitura, 40% sentiram arrepios várias vezes. (…). As respostas neurológicas estimuladas pela poesia são únicas. Os dados mostraram que ao tomar contato com os poemas, partes do cérebro usualmente desativadas quando expostas ao estímulo de filmes e música foram despertadas.

3 – A poesia relaxa, pois claro. Os neurocientistas descobriram que a poesia cria um estado que chamaram de “pré-relaxamento”; ou seja, que provoca uma reação de prazer gradativo a cada estrofe escutada. Na prática, ao invés da emoção nos invadir repentinamente, como quando escutamos uma canção, a poesia gera um crescendo emocional que começa até 4,5 segundos antes de sentirmos o arrepioCuriosamente, esses picos emocionais ocorriam especificamente em trechos dos versos, como no final das estrofes e, acima de tudo, no final da poesia. É uma descoberta muito interessante, especialmente considerando-se que 77% dos participantes que nunca tinha escutado um poema também mostraram as mesmas reações e sinais neurológicos que antecipavam os focos emocionais da leitura.

4 – A poesia estimula a memória, facilita a introspeção e relaxa-nos. Neurocientistas da Universidade de Exeter (…) descobriram que o nosso cérebro processa a poesia de forma diferente [do] que a prosa. É ativada uma “rede de leitura” peculiar que abraça diferentes áreas, entre elas, aquelas responsáveis pelo processamento emocional, ativadas fundamentalmente pela música. (…). Também perceberam que a poesia estimula áreas do cérebro associadas com a memória, como o córtex cingulado posterior e o lobo temporal médio, áreas que são despertadas quando estamos relaxados, ou introspetivos. Isto demonstra que existe algo muito especial na estrutura do texto poético que gera prazer.

Conclusão: (…) A poesia é uma expressão literária muito especial que transmite sentimentos, pensamentos e ideias, praticando a síntese métrica, trabalhando as rimas e a aliteração.

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