Livros para ler com os avós…. no dia dos avós 3

João Manuel Ribeiro

Andar por aí (Isabel Minhós Martins & Madalena Matoso, Planeta Tangerina, 2009)

Neste livro, há um rapaz (de que não nos é dito o nome) que costuma andar por aí com o seu avô. Não se trata, porém, de um passeio na companhia um do outro. É algo muito diferente: o avô vai sempre à frente, entretido com os seus afazeres; o rapaz vai mais atrás, ocupado com tudo que vai encontrando pelo caminho. Aparentemente o rapaz vai quase sozinho, aquele quase-sozinho que nos faz sentir seguros e livres. A liberdade que (só) os avós consentem; seria diferente se o passeio fosse com os pais: «Não faças isto, não faças aquilo». A sorte do rapaz é «na rua também não entram mães (quando vou com o meu avô).» Com o avô, ali, mais adiante, o rapaz sente-se livre, tão livre e seguro que nem o facto de ser chamado pelo assobio do avô o incomoda. Além disso, o avô «tem sempre tempo e ter tempo é muito bom». Os vizinhos do rapaz, os vizinhos de cima, «ainda não perceberam bem a piada que é andar por aí. Se os chamo, dizem: Que está a dar desenhos animados… Que é quase hora do lanche… Que está muito vento… Ou que vem lá chuva…». Talvez porque lhes falte um avô ou, percebe-se pelo final da narrativa, a liberdade de «andar por aí» acontece porque o avô está por aí e «andar por aí é bom e dizem que só faz bem».

As ilustrações de Madalena Matoso ampliam a geografia textual oferecendo linhas infindáveis, sinais imprecisos e pontos de referência que alinham por um desalinho afetivo que faz bem ao coração rebelde das crianças e ao coração amadurecido dos avós.

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