A ilustração é uma forma de estar e de viver…

SEBASTIÃO PEIXOTO vive em Braga, licenciado em pintura pela Faculdade de Belas-Artes do Porto. Trabalha como ilustrador freelancer, colaborando com várias editoras como a Planeta, Leya, Porto Editora e La Fragatina. Já publicou trabalhos em vários Fanzines, revistas e Jornais e participa regularmente em exposições coletivas de pintura e ilustração em Portugal e no estrangeiro. 

Em 2012, o livro que ilustrou, «Quando eu for…grande», foi nomeado como melhor livro infantojuvenil pela Sociedade Portuguesa de Autores e editado na Colômbia e na China.

Em 2014 venceu uma menção Honrosa no 7.º Encontro Internacional de Ilustração de S. João da Madeira, em 2016 foi selecionado para o catálogo Ibero Americano de Ilustração e em 2017 ganhou um Gold Award do Thesif Award 2017 (Seoul Illustration Fair).

Numa breve pesquisa sobre o Sebastião Peixoto, encontra-se rapidamente a alusão «ao mundo mágico». Acredita que, de facto, a ilustração pode ser sinónimo de magia?

Acredito que sim, no sentido em que exercendo o seu poder sedutor e encantatório é capaz de nos levar para outros lugares: um sentimento, uma emoção ou um pensamento.

Cada ilustração tem um significado especial? Tem alguma que lhe tenha dado particular gozo?

Como ilustrador freelancer tenho que fazer trabalhos distintos de modo a conseguir sobreviver economicamente. Naturalmente, uns dão mais prazer do que outros. Penso que foi o Manuel António Pina que disse qualquer coisa como: há coisas que a gente faz para ganhar a vida, há outras que a gente faz para salvar a vida. As que me salvam a vida são as que me dão mais prazer e mais trabalho.

O que representa para o Sebastião a ilustração?

Para mim, a ilustração é uma forma de estar e de viver, mais que um trabalho é uma forte necessidade de expulsar luz ou sombra que se acumulam no meu interior.

Descreva-nos o seu percurso, fale-nos dos projetos e dos prémios.

Sempre gostei de pintura e desenho, adorava principalmente o grafite e fiz a minha primeira exposição com 16 anos, em Braga. Vendi alguns trabalhos e lembro-me que deu para muitas sandes americanas :)! Decidi ir para Belas Artes. Fiz a minha licenciatura em pintura, na Faculdade de Belas Artes do Porto sem grande convicção. Questionava constantemente a minha vocação e, por vezes, tornava-se insuportável. De seguida, dei aulas de educação visual e expressão plástica no primeiro ciclo durante um período de tempo não muito longo. Em simultâneo fui participando em algumas exposições coletivas e criei uma marca de T-shirts chamada zigoto, mas fiz uma série e ficou por aí. O primeiro trabalho que tive como ilustrador foi um manual escolar de português, da Livraria Arnado (chancela da Porto Editora) em resposta a um anúncio no Jornal de Notícias. Nem queria acreditar que tinha sido escolhido. Fui construindo, no meu tempo livre, um portfólio e enviei para algumas editoras, sem sucesso, até que uma, à qual eu nunca tinha enviado nada, entrou em contacto comigo para saber se estava disponível para ilustrar dois pequenos livros. Era a editora Angelus Novus. A partir desses livros não parei, até hoje. Tive a sorte de ser solicitado para vários projetos de natureza diferente ao longo dos últimos anos. Em 2012, um livro ilustrado por mim foi nomeado para melhor livro infantojuvenil, pela Sociedade Portuguesa de Autores. Fui selecionado, em 2016, para integrar o VII Catálogo Ibero Americano de Ilustração e, durante este ano, recebei um Gold Award num concurso lançado pela feira de ilustração de Seoul. Os últimos projetos de me deram mais prazer foram ilustrar um tema musical dos Mão Morta para a comemoração dos 25 anos do álbum Mutantes S.21 e o cartaz para o Natal em Lisboa da EGEAC. Brevemente terei um segundo livro ilustrado por mim publicado na China.

Acredita mesmo que uma imagem vale mais que mil palavras?

A expressão é mesmo isso: uma expressão indicativa do valor das imagens e da sua capacidade de comunicar ideias simples ou complexas através de recursos visuais, de forma eficiente e rápida. Há quem diga que “uma imagem vale uma imagem e mil palavras valem mil palavras”. O que importa são os significados possíveis e a abertura a múltiplas leituras que proporcionará a quem as lê/vê.

Que mensagens procura transmitir através do trabalho que faz?

É muito difícil responder a esta questão, geralmente quem as vê saberá muito melhor do que eu o que elas transmitem.

Naturalmente que tem que ilustrar em função de um texto, no caso dos livros, mas consegue falar-nos de onde surge a inspiração? Desde sempre quis ser ilustrador? Quando percebeu o caminho que queria seguir?

Geralmente leio o texto várias vezes e, ao longo desse caminho, vão surgindo ideias e vou descobrindo a atmosfera que quero dar às imagens. No entanto, isso varia muito de livro para livro. Se o texto me toca ou não vai ser determinante para todo o processo. Em cada livro crio sempre uma pasta com várias imagens, desde fotografias a ilustrações, que me vão servir de referência e inspiração para o trabalho.

Não, não foi uma coisa que tenha querido ser! Foi-se desenvolvendo à medida que fui trabalhando. Sempre achei muito estranho começar a ilustrar ao mesmo tempo que publicava. Não tinha experiência nem nenhuma formação específica como ilustrador e isso fez com que fizesse coisas que me agradam menos, mas de qualquer modo se assim não fosse, possivelmente não teria acontecido.

Havendo vontade e desejo, o caminho aparece-nos diante dos pés.

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